sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Nação Zumbi ataca a fome em novo CD

Jamari França - O Globo Online (01/11/2007)

RIO - A banda mais influente dos anos 90, a pernambucana Nação Zumbi, está lançando seu sétimo disco, ''Fome de tudo'', o primeiro pela gravadora Deckdisc. Produzido por Mario Caldato (Beastie Boys, Marcelo D2), o álbum tem a fome como tema central, não apenas a da privação do alimento, mas a fome de ter uma vida digna e a fome de conquistar e de consumir passando por cima de tudo e de todos.

Eles acham que a fome nunca vai acabar como dizem na faixa-título "a fome tem uma saúde de ferro/ Forte como quem come". Entre seus alvos está a indústria de celebridades em "Olimpo", na qual observam que "todos os dias nascem deuses/ alguns melhores e alguns piores do que você.

A Nação tem Jorge du Peixe (voz, sampler e percussão), Lucio Maia (guitarra e programação), Dengue (baixo), Gilmar Bola 8 (percussão), Pupillo (bateria e programações) e Toca Ogan (percussão e voz). O disco tem participação da cantora Céu em ''Inferno'' (eles juram que não foi de propósito) e de Junio Barreto em "Carnaval".

Veja os vídeos e ouça as músicas.

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/10/31/326977265.asp

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O que eu entendi quando fui a Recife e Olinda

Só quando fui a Recife e Olinda, pude entender algumas músicas.


1) Rios, pontes e overdrives

Essa é auto-explicável

2) Num dia de Sol, Recife acordou
Com a mesma fedentina do dia anterior.

(A Cidade – Chico Science & Nação Zumbi)

Com todo respeito, mas andar por Recife me fez entender o que Chico Science dizia

3) As nove em ponto recebo o papel do banco
Dizendo que eu não tenho nada
Um zero vírgula dos zeros

Zero vírgula, zero, zero
Zero vírgula, zero, zero

(Saldo de aratu – Mundo Livre S/A)

Bem, essa eu entendia mesmo antes de ir a Recife

4) Eu cheguei nos quatro cantos
Olhei a rua treze de maio
Segui são bento, segui amparo
Fui parar no bonsucesso
Me lembrei de bob marley

(Guia de Olinda – Eddie)

Essa também é auto-explicável


5) O samba chegou
O samba chegou na ladeira
E subiu à pé
Fez das pernas bambas malandragem

(O samba chegou – Bonsucesso Samba Clube)

Rogerman na Escola de Samba Preto Velho, no Alto da Sé, Olinda, promovendo a Festa Criolinda

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

O Biu

Depois de falar do Galeguinho do Coque e da Perna Cabeluda, não podia deixar de falar do Biu do Olho Verde. Biu andava por Olinda na década de 1970, fazendo o terror. Era um adolescente criado em Bultrins, periferia da Grande Recife. Sua marca registrada: usava um alicate para arrancar o bico dos seios de suas vítimas.

Assim, como a Perna Cabeluda, também virou filme. Mais informações na página http://fbcu.com.br/2004/inf_videos10.html

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Agora, a Perna Cabeluda

Se eu errei o penteado do Galeguinho, eu já tinha ouvido falar da abundância de cabelos que dá o nome à Perna da qual o valente Galeguinho não tinha medo. Também chamada de Cabiluda, como no documentário (link abaixo), que investiga a existência dessa perna. Com participações do próprio Chico Science, e uma explicação convincente de Fred 04.


a perna cabiluda

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Galeguinho do Coque

Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha
Não tinha medo da perna cabeluda
Biu do olho verde fazia sexo, fazia
Fazia sexo com seu alicate[1]



Pois é, e eu que achava que Galeguinho do Coque era assim chamado por usar coque, aquele penteado típico das gueixas. Bem, parecia meio estranho, mas até então eu acreditava que este fosse o único significado da palavra coque. Acabei de descobrir que coque também é um tipo de combustível derivado do carvão betuminoso. Ignorante, sou mesmo. Mas, o Coque que compõe o nome de Galeguinho não é derivado do carvão nem de cabelo, é um lugar.

Procurei na internet e achei o texto “O galeguinho que fez a fama do Coque”[2], escrito por Maria Carolina Santos

“Galeguinho do Coque não tinha medo, não tinha. Não tinha medo da Perna Cabeluda...”, cantava Chico Science, em Da Lama ao Caos, sobre o bandido que deu fama ao Coque em meados da década de 1970. A ocupação e a violência na área surgiram bem antes, na passagem do século XIX para o século XX, personificada na figura do capanga. Na época, para garantir a segurança da exportação agrária, os donos de engenho contratavam homens armados para realizar o transporte da carga do Interior até o Porto do Recife. A quantidade de bares e prostíbulos presentes no entorno do Rio Capibaribe logo passaram a seduzir esses homens, que, com a derrocada do setor açucareiro, foram se fixando na área que vai do bairro de São José até o Coque.

A localidade ganhou fama como ponto de desordem e os moradores ficaram conhecidos como “cocudos”, ou seja, gente de cabeça dura e pavio curto. No final da década 1960, o Coque entrou na mídia como um bairro violento, carregando a imagem negativa de que os moradores protegiam os criminosos. O principal responsável por esta má reputação foi o jovem José Everaldo Belo da Silva, nascido na Zona da Mata Sul, que começou a praticar furtos aos 16 anos na região comercial e portuária do Recife.

Não demorou para que o adolescente, considerado bonito e esperto, alcançasse fama e fosse procurado pela polícia de quatro estados do Nordeste. Durante quatro anos ele ficou escondido no Coque, ganhando o apelido que o transformou em personagem lendário da história policial pernambucana. Ainda hoje os moradores mais antigos lembram o dia em que o Galeguinho do Coque assaltou um caminhão de leite em pó e distribuiu na comunidade.

Em 1971, ele foi preso e, na cadeia, se transformou em um homem religioso. Era o provável fim de uma vida de crimes, mas não o fim da violência no Coque. Com a prisão do Galeguinho, o grupo que ele liderava passou a lutar pelo controle da área, dividindo o local em várias regiões de influência, o que permanece até hoje. Ao deixar a cadeia, José Everaldo abriu um pequeno negócio no Alto do Jordão e se casou. Anos depois foi encontrado morto no município de Moreno, com uma bíblia ao lado. Ao invés das palavras sagradas, no entanto, o livro era oco e dentro estava escondido um revólver calibre 38.



[1] “Banditismo por uma questão de classe”

[2] http://media.twango.com/m1/original/0062/6df0b3045fb84486bca8bd6e03ed3b8d.pdf

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Circulando


Ei, tem alguém aí? Depois de todo esse silêncio, desse sumiço? Depois de uma maratona, hoje voltei aqui pro meu cantinho na lama e percebi que, por um dia apenas, fiquei quase um mês out. Mas eu tenho uma explicação, eu peço perdão! Vejam o que me aconteceu...

Foi assim, eu estava em Niterói, fui visitar uma avó, não minha, mas todos a chamavam de vó. E tinha uma mãe também, não minha, mas todos a chamavam de mãe, e ela fritava hamburguer sem parar. Todos de frango. Mas ela não parava. Saí de lá e peguei um ônibus. Logo achei estranho, ouvi dois caras conversando, um papo muito estranho. Um deles com uma camisa escrita “Nietzsche da mente”. Vai entender! Mas, de repente, eles falaram no meu nome. Não, não era coincidência! Eles falavam sobre mim. Tudo bem que exageraram um pouco dizendo que eu tocava maracatu. Tentei entrar na conversa, mas não consegui. Tentei saber os nomes deles, mas não consegui. Eles só atendiam por “jovem 1” e “jovem 2”. E o “jovem 2”, o “Nietzsche da mente”, misteriosamente sumiu.

Resolvi deixar isso de lado e fui me sentar em um dos bancos dianteiros. Encontrei uma adolescente emo, que atendia por “ema”, espirrando sem parar. Ela conversava com uma “perua”, que dizia ter entrado naquele ônibus por motivos diversos. Até agora não entendi se ela era um travesti ou um protótipo de Maria Bethânia. Mas teve gente a chamando de “Bento Carneiro”. Sabe, o Bento Carneiro? O vampiro brasileiro.

Mas a coisa toda complicou quando um “vendedor de canetas” entrou ao mesmo tempo que um “vendedor de balas” no ônibus. Ah, gente, foi muita confusão. Agravada pela entrada de um “cego” e sua “acompanhante”. Um cara que estava o tempo todo falando no celular, um “mauricinho”, resolveu controlar a confusão e coordenar uma votação, proposta pela “perua”. Os passageiros tinham que escolher quem permaneceria no ônibus. Isso só agravou a confusão, todo mundo acabou brigando. Se batendo mesmo.A coisa toda virou um programa de auditório, um circo, um hospício. Aí o “motorista” resolveu intervir. Mas quem controlou mesmo a confusão foi um “assaltante”. Pois é, o ônibus foi assaltado! E no meio do assalto, surgiu uma banda tocando. Eu acho que eu conheço aquela banda, mas como todos ali, eles também não tinham nome...era só uma banda animada no meio de um assalto.

Quando eu finalmente consegui descer desse ônibus, que era “circular”, percebi que passei um mês lá dentro!! Um mês!!! Fiquei com inveja de uma passageira, ela tem 35,3 trabalhos e nunca dorme. Preciso disso em “my life”. Mas, por incrível que pareça, comecer a sentir saudades daquele ônibus. Mas alerto a todos, cuidado quando pegarem um “circular” por aí.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Eles usam óculos!!!

Nos anos oitenta, Herbert Vianna subia no palco se defendendo do artefato que vinha sempre acoplado ao seu rosto: “eu não nasci de óculos, eu não era assim”. Afinal, óculos sempre foi coisa de “nerd” e não de astros da música pop. No último sábado, os óculos invadiram o palco do Circo Voador. E ninguém se importou com isso.

Primeiro foi o show do Kassin + 2, aquele projeto de Kassin + Domenico + Moreno, agora liderado por Kassin. Sim, ele parece nerd, parece que ta envergonhando por estar ali no palco, com seu baixo, cantando pra tanta gente. Mas e daí? Kassin + 2 é muito bom!! E tem mais, por trás do óculos, Kassin tem um currículo invejável. Ele foi (é?) do Acabou La Tequila. E como produtor musical produziu discos do Arto Lindsay, Caetano e Jorge Mautner, Los Hermanos, Totonha e os Cabra, já fez trilha pra espetáculo da Débora Colker e por aí vai. E ele toca “game boy”...pois é!!

Depois foi a vez do Mombojó. Felipe S , de óculos, é bem desenvolto. Ele pula, ele dança, ele anima o público. E canta, claro!! Mombojó tá na boca do povo do circo.Foi bonito, foi bonito. Ele animando todos a entoar “saborosa sensação”. Do meu lado, um trio discutia se ele ainda tinha sotaque ou se já tinha perdido...ficavam tentando achar o sotaque recifense entre seus versos. E se não acharam foi porque não quiseram. Porque o sotaque não está só na voz de Felipe, está na sua forma de fazer música e no discurso da banda em dizer que “são a prova de que o Manguebeat não morreu”. Afirmação que prova que Manguebeat não é um ritmo, mas uma forma de fazer e pensar música (mas não só isso). Sotaque presente, e como, na atitude de disponibilizar seus discos na internet para serem baixados, licenciados pelo creative commons. Alguém duvida?
P.S.: A única coisa estranha foi que não teve bis. E a platéia se conformou com isso...

sábado, 2 de junho de 2007

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Contrariando o título do post anterior...

Peço paciência, mas explicarei o post anterior.Sempre há um novato em qualquer assunto, então...


O Cenário: Um festival de música independente.
Todos os anos, no mês de abril, desde 1992, acontece em Recife-Olinda, um festival de música independente, o Abril Pro Rock. Atualmente é o mais importante festival de música independente do Brasil e, em 2007, na sua 15ª edição, teve mini-versões no Rio e em São Paulo.


Os Personagens:
Paulo André, um importante produtor musical que, dentre outras coisas, organiza o Abril Pro Rock.
The Playboys, uma banda recifense que nunca conseguiu tocar no Abril Pro Rock.


A Cena: Olinda, Centro de Convivências,Edição de 2005 do Abril Pro Rock. Num quiosque que o festival aluga para comerciantes, está um amplificador, instrumentos musicais, alguns de brinquedo. Quando os portões abrem, "The Playboys" começam a tocar "Paulo André não me ouve", anunciando o Palco 3 do Abril Pro Rock. Foi, no mínimo, uma piada engraçada!


O desfecho: A brincadeira dos The Playboys renderam algumas reportagens nos jornais e uma notoriedade, pelo menos em Recife. Em 2007, eles tocaram no Abril Pro Rock, não mais no improvisado Palco 3.